terça-feira, 23 de junho de 2015

EXPLORANDO A RETAGUARDA DAS POSIÇÕES PAULISTAS NO FRONT TÚNEL DA MANTIQUEIRA

DETECÇÃO DE METAIS DO DIA 21/06/2015
Desta vez resolvi usar uma outra estratégia e dar a volta por trás das trincheiras e ir descendo a mata um pouco mais afastado da linha de frente. Notei que os achados são mais escassos, porém quando o detector sinaliza, a chance de ser algo raro é bem maior. Como o local não favorece uma boa visão de tiro, são poucas as capsulas de munição. Deu também para perceber que sempre há uma área de apoio atrás de uma linha de trincheiras, é lá que os soldados ficavam para descansar, se alimentar e creio que quando os tiros da artilharia inimiga se aproximavam muito de suas posições eles mudavam de lugar para se proteger dos estilhaços, acho que ali  ficava o paiol também. O lugar hoje está totalmente dominado pela vegetação, muitos cipós, árvores, arranha - gatos e uma grossa camada de matéria orgânica no chão, que forma um verdadeiro tapete de cerca de trinta centímetros ou mais, isso torna as coisas um pouco perigosas pois a chance de uma cobra ou  de insetos se esconderem ali é grande, mas desta vez trouxe comigo um enxadão, não para cavar, pois acertaria o achado com ele, mas para limpar o lugar antes de abrir o buraco, e ele  se mostrou bastante eficiente nesta tarefa.
Já nos primeiros sinais do detector que investiguei, descobri uma grande quantidade de pedras no entorno e dentro de buracos e valas, coisa que não acontece nas trincheiras mais à frente.  Com certeza não se trata de uma característica natural, mas  sim elas teriam sido colocadas por alguém  lá.
Um dos meus primeiros achados foi a moeda de 500 réis de 1924, enfim aquela por quem eu procurei tanto na última caçada resolveu aparecer, e logo a seguir vieram a ponta de correia e  a presilha  na qual  ela se encaixa. Estavam embaixo de muitas pedras grandes e pensei que pudesse haver um embornal inteiro lá, mas passei o detector várias vezes, removi um pouco do solo para atingir uma profundidade maior com o detector e nada, mas creio que os dois faziam  parte da mesma alça de embornal que talvez tenha rasgado e ficado por lá.
 Algum tempo depois localizei um sinal muito forte, também em meio as pedras, cavei e o sinal desapareceu, como pode? um sinal forte nunca é falso... procurei na terra retirada e ele estava lá, começo a procurar com o pin pointer e nada, a cada hora ele está num lugar mas não o encontro, já se passaram quase meia hora que eu estou ali e nada, quando de repente passo a a mão na terra e retiro uma certa quantidade, o pin pointer indica que o achado está na minha mão misturado com a  terra, e para minha decepção é apenas um pedacinho de munição estourada com o fogo no pasto, já estou me afastando do lugar quando instintivamente dou mais uma passadinha com a bobina no buraco recém aberto, e  na borda localizo um sinal muito forte, volto a cavar,  e aparecem duas pontas de munições, pensei na hora: elas não estão assim juntinhas por acaso, elas estão num "pente", continuo então a cavar, agora com mais cuidado ainda e logo consigo visualizar o restante, agora o desafio é tirá-las dali sem quebrar o frágil clip todo enferrujado que as prende, mais um pouco e aquele pedacinho da história esta em minhas mãos, trazendo com ele uma emoção muito grande, como é bom achar algo raro assim! E vem logo à cabeça várias situações que poderiam ter acontecido para aquilo ter ficado ali sem ser usado, talvez um soldado tenha sido ferido  ou até morto, ou deixou cair num momento de correria, ou até mesmo o lugar fosse uma espécie de paiol já que nas proximidades haviam várias munições não deflagradas. As possibilidades são infinitas, mas a única certeza é que não podemos desistir nem desanimar nunca durante uma caçada, pois o grande achado pode estar bem ao nosso lado.

OS ACHADOS DA FORMA QUE RETORNARAM AO MUNDO









O pote de achados começou a encher











DEPOIS DA LIMPEZA



Moeda de 500 réis com a data de 1924.
 E saiu assim brilhando, não a limpei com nada especial só escova de dentes e água.
Agora fica a pergunta porque um soldado levaria moedas para uma trincheira? já é a quarta que eu encontro dentro de área de combates.

Presilha.



Ponta de correia achada no mesmo local da presilha.


 


O achado do dia, se munições pontiagudas já são raras de se achar, imagine em um clip(pente).

4 comentários:

  1. é relativamente comum encontrar moedas em campos de batalha, como elas valiam pouco talvez comprassem algum doce cigarros, artigos de "luxo" na trincheira.

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    1. comum eu digo na europa hahaha inclusive moedas de prata que são encontradas com relativa "facilidade"

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