domingo, 5 de abril de 2015

NOVIDADES DO FRONT NORTE: SOLEIRA DE ARMA ANTIGA


04/04/2015
Diário de caçada com  detector de metais, em busca de vestígios da revolução de 1932 na região do Túnel da Mantiqueira. 

A caçada estava sem novidades, até que resolvi entrar numa trincheira que ainda não havia entrado, não por eu não saber que ela estava lá, mas sim pelas dificuldades e os riscos que o local apresentava. Hoje com o mato alto por toda parte, não tive outra alternativa a não ser arriscar. Lá dentro encontrei uma lata ainda fechada, possivelmente do medicamento Vick Vaporub . O incrível é que ela estava em um barranco que funcionava como um abrigo natural e como prateleira, junto a ela também achei  algumas munições deflagradas. Tudo indicava que eu estava em uma enfermaria de campanha mas ao cavar um sinal, acabei mexendo num formigueiro e fui expulso de lá por milhares de formigas pretas e ferozes. O sol já ia se escondendo por detrás da serra quando iniciei minha descida, durante a caminhada apareciam  alguns sinais que sempre acabavam em mais munições deflagradas, até que em um determinado local surgiu um sinal muito forte, e tudo indicava  que o objeto  estava  bem próximo a superfície mas cavei uns dez centímetros e nada. Quando o objeto apareceu, trouxe junto a ele uma grande dúvida: o que seria aquilo? o material é cobre ou bronze,nunca havia encontrado ou visto  algo semelhante, enfim...mais está aí mais um enigma da história a ser descoberto.



OS ACHADOS:

 O achado do dia. 
Se alguém tiver alguma informação que leve a descobrir o que é, poste nos comentários por favor.




RESOLVIDO O ENIGMA:

Me parece que achei uma raridade:

MODELO: Victorian Gem .177 German Air Rifle: Descrição: German Air Rifle made from 1882 upto the 1930`s. Calibre .177 barrel and cocking lever. Octagonal barrel





 Uma lata fechada de medicamento

 Todos os achados

DEPOIS DA LIMPEZA:


5 comentários:

  1. Amigo, lembra muito uma soleira do comblain, que era um fuzil utilizado pelo Exército, que foi comprado em 1873, ou a soleira de uma carabina Winchester 1866. Ambos são feitos de latão. Acho que dificilmente a peça não será de uma dessas armas. Caso queira, me mande a medida delas que eu posso comparar com a Comblain. Abraços.

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  2. Tanto o fuzil ou a carabina Comblain, adotados em 1873 quanto a carabina Winchester 1866 tiveram participação no Exercito Brasileiro, sendo o Comblain de forma mais extensa e por mais tempo.
    O Comblain foi fabricado na Bélgica para o Brasil nos calibres 11 x 50mm (modelos 1 ao 4), 11 x 54mm (modelos 5 e 6) e 7,5mm para uso de menores das escolas do Exercito. Aliem destes também ocorreu uma conversão, em pequena escala, para o calibre 7 x 57mm (Mauser) para uso da policia do Rio de Janeiro.
    Pelo que sei, o ultimo uso pelo Exercito foi na Guerra de Canudos (1897).
    Estas Comblain eram - todos os modelos - monótiro.
    A Winchester 1866 originalmente foi fabricada no calibre .44Henry de fogo circular havendo citação de uso na Guerra contra o Paraguai, onde o autor cita que a tropa preferia a carabina Spencer ao invés da Winchester.
    Voltando ao caso da chapa encontrada:
    1. Não creio que seja de uma arma de ar.
    2. Parece-me ser de uma arma de caça, pois sua configuração é idêntica a de muitas armas de caça da época e anteriores.
    3. No local onde foi encontrada havia munições diferentes da 7x57mm Mauser, que não fossem de revolver ou pistola? As munições Comblain eram do tipo "garrafinha".
    4. A curvatura da Winchester 1866 é bem mais pronunciada do que a da chapa encontrada e tem configuração (geometria) diferente.
    5. Pode ser de um Comblain? Até pode, mas creio ser difícil isso pois as de calibre igual ao do Mauser só foram convertidas para a policia do Rio de Janeiro, que nunca esteve no Túnel.
    Vamos continuar pesquisando, pois o caso é intrigante, realmente. Há foto de civis portando espingarda de caça na região do Túnel.

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    1. Ola Luiz, nunca encontrei munições no local que não fossem as do Mauser.

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  3. Minha opinião:
    A chapa da soleira encontrada não é de um Comblain, Arma obsoleta para a época e que se tivesse sido levada para o Tunel teria sérios problemas com munição, e sua logística.
    O fato de não ter sido encontrado nenhum cartucho vazio de calibre diferente do 7 Mauser é um indicativo também de que não havia um Comblain em serviço naqueles combates. O Comblain, apesar de monótiro também ejeta o cartucho vazio após o tiro por meio da ação da alavanca, que é também o guarda mato da arma. O cartucho ejetado teria sido encontrado.
    Por tudo isso continuo com a minha opinião de que a soleira encontrada é de uma arma de caça, uma espingarda. Notem que isso pode ter ocorrido - a perda desta peça no local - em outra época, após o conflito e por algum caçador local. Caçador geralmente não deixa cartuchos no local do tiro, guarda para recarregar e como a espingarda não ejeta, e o cartucho deflagrado tem que ser retirado a mão, fica mais difícil encontrar algum.
    Mesmo assim ainda permanece uma questão: porque e como se perderia a chapa da soleira de uma espingarda dentro de uma cava de trincheira, sendo que esta peça é solidamente fixada na madeira da coronha por dois parafusos?

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  4. A chapa da soleira é de uma espingarda de caça de carregar pela boca ("pica pau") ou seja, uma arma de ante carga. Arma muito comum no interior e do tipo que o pessoal do campo apreciava pelo preço baixo que tinham a arma e a própria munição (pólvora preta, espoleta isolada, chumbo granulado para caça, e a bucha que muitas vezes era feita com a bucha vegetal, a mesma que se utilizava antigamente para banho). Estas pica pau vinham da Europa em grande quantidade, em um cano ou de dois canos. Sob o cano vinha uma vareta de madeira para que a carga fosse socada no interior do cano.

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