segunda-feira, 17 de março de 2014

O TÚNEL DA MANTIQUEIRA E A REVOLUÇÃO DE 1932

Caçando relíquias e remontando a história
Juntando o pouco que ficou registrado na literatura com o que os vestígios nos contam, podemos tentar montar o enorme quebra - cabeça dos acontecimentos de 1932 no Túnel da Mantiqueira e cercanias.
 A Revolução de 1932 iniciou - se no dia 9 de julho, no dia 10 do mesmo mês os paulistas já estavam lá.
Formavam uma linha de defesa nos picos Gomeira, Gomeirinha,Cristal e Itaguaré e os primeiros tiros ali foram disparados no dia 16.
 Inicialmente avançaram até Passa Quatro - MG mas depois recuaram, posteriormente , no dia 27, abandonaram parcialmente a linha dos picos, permanecendo então em cima do túnel e nos picos Gomeira e Gomeirinha.
 O que provaria isto são as diversas trincheiras voltadas para MG, que ainda estão lá.
 Na boca do túnel  (lado SP) teria ficado a artilharia pesada e no alto dos picos a fuzilaria e as metralhadoras, visto a enorme quantidade de capsulas de munição encontradas no lugar.
 Os legalistas que eram compostos por duas unidades do exército mais 1500 policiais mineiros acamparam na Fazenda São Bento em Passa Quatro - MG,  utilizavam também a estação Manacá para avançarem ao front pela linha férrea.
 Da Fazenda São Bento partiram os legalistas rumo ao Pico do Cristal e Itaguaré.
 O pico do Cristal seria uma posição estratégica, pois fica de frente para as posições paulistas e o Itaguaré serviria para chegar até o bairro do Batedor, através de uma trilha existente até hoje, fato este, que deixaria os paulistas totalmente cercados. Com o enfraquecimento da resistência na área, e o eminente cerco, os paulistas foram obrigados a abandonar definitivamente o Túnel no dia 08 de setembro de 1932.
Os caminhos que os soldados constituintes dispunham para sair dali eram dois: a Estrada Real e a linha Férrea.
Os diversos vestígios, como capsulas e projéteis encontrados nestas duas vias, nos revelam que a tropa à serviço da ditadura já estava próxima  e que nossos bravos soldados mantiveram a posição até a ultimas horas, saindo de lá sob fogo cerrado.

O Túnel da Mantiqueira na época de sua construção


O Imperador D. Pedro II em visita as obras

O Túnel hoje ( Lado SP)

Lado MG

 1932

Os soldados da ditadura Vargas apos a saída dos paulistas.

Soldados mineiros em Passa Quatro MG

Trem Blindado Mineiro (rsrsrs)

Soldados mineiros no alto do pico do Cristal

Soldados mineiros no alto do Itaguaré, ponto de partida para o bairro do Batedor e ao cerco.

Estação ferroviária de Cachoeira Paulista, que serviu de quartel general paulista e de onde os soldados partiam para o front



A estação hoje

Os paulistas no Túnel:








No lugar onde existiam estas tres casinhas ...





...hoje existe estes montes de pedras que estão sendo confundidos pelos visitantes como se fossem túmulos de soldados mortos em combate, porém são o entulho das casas demolidas e  pedras retiradas na reforma e da abertura do Túnel da Mantiqueira. A principio este material estava espalhado pela área e foi sendo juntado por um agricultor do lugar (segundo informação dele próprio).

achei um vidro que aparenta ser de perfume e traz em seu fundo a inscrição em alto - relevo: beija flor


A CAÇADA DO SÁBADO 15/03/2014
Estes são os resultados de um dia de detecção de metais na região.


OS ACHADOS
Ponta de uma cinta ou correia.
Apesar de 99% dos achados serem projéteis e capsulas de munição tenho tido sorte  e quase nunca saio de lá sem algo "diferente".



Munições picotadas e falhadas

Projéteis

Isto  foi encontrado na Estrada Real parecia ser uma moeda mas não tem nenhuma inscrição

Capsulas de munição
Este tubo de pasta de dentes não é da época da revolução mas é bem antigo

Todos os achados da caçada


6 comentários:

  1. Nobre amigo, que viagem fantástica que você sempre nos possibilita em seus textos e fotos, suas pesquisas são uma viagem no tempo. Você é um dos poucos detectoristas que acompanho, pois sei que além da diversão nestas aventuras, a um objetivo sério de resgatar pedaços perdidos da nossa história. Grande abraço

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  2. Celso, as esferas que vc está encontrando não são balas de mosquete, estas armas são muito antigas e não foram utilizadas no túnel, trata-se de "recheios" das granadas de fragmentação dos canhões. Funcionavam como balas na medida que a granada explodia.

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  3. Uma ótima postagem pra quem gosta de histórias. É sempre legal acompanhar seu blog. Um grande abraço.

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  4. Ampliando a décima fotografia, de cima para baixo ..."Soldados mineiros no alto do Itaguaré"..são 3 soldados e 3 civis, o primeiro civil em pé na extrema esquerda, camisa de manga comprida branca, porta uma espingarda de caça, e o que está sentado, um chicote de couro com argola metálica. Guias regionais servindo a tropa getulista.

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  5. Ampliando a 19a. fotografia de cima para baixo, o grupo de soldados.
    Notar que o 6°soldado porta um mosquetão" Mauser" e o 8° um fuzil "Mauser", ambos no mesmo calibre (7x57mm).
    Vandeir, o que acha? É isso mesmo?

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